quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Cotas sem cotação no mercado


Tem muita gente comemorando a aprovação, no congresso, do aumento da cota social nas universidades. Os alunos oriundos das escolas públicas e os socialmente desfavorecidos terão maiores oportunidades de ingressar nas universidades públicas. Vejo isso com pouco ânimo. Não quero com isso alijar grande parte da população brasileira dos estudos em uma universidade gratuita, mas não sou favorável a esse tipo de postura para resgatar ou redimir décadas de abandono e descaso por parte das autoridades à essa parcela sofrida da população. Acho que o empenho devia ser em busca de melhorar o ensino público nas bases ao invés de facilitar o ingresso lá em cima. Fazendo isso o governo acaba por nivelar por baixo o ensino superior e, em vez de garantir progresso para o país, só faz atrapalhar essa difícil caminhada já que os estudantes não estão preparados para ela.
Infelizmente não é raro encontrarmos nos bancos das faculdades pessoas que não sabem escrever seu próprio idioma pátrio, e não entendem o que leem nos livros. Envolvidos que estão com a prática social e sabendo que esses alunos “fizeram um primário mal feito” os professores começam a ser cada vez mais condescendentes e baixam cada vez mais os critérios para aprovação, fazendo com que os alunos aprendam cada vez menos, mas mesmo assim não deixem de sair com seus diplomas.
Para que ter diploma sem conhecimento? Como confiar em profissionais que mal sabem redigir um parágrafo e não entendem nada do que leram. Se é que leram. Como disse antes, o erro não está em deixar esses alunos entrar na universidade, mas em deixá-los jogados ao léu durante os anos iniciais de suas vidas estudantis. O erro é não investir em professores e escolas que sejam boas de verdade. O erro é fazer de conta que eles aprendem alguma coisa quando vão para a escola só atrás da merenda. O erro é distribuir bolsas assistencialistas às famílias fazendo-as acreditar que não precisam se empenhar para viver. Maior erro é acreditar que entrando na faculdade as coisas vão mudar para melhor. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Profissionais ruins, público pior ainda.

Cada vez que acesso a internet dou uma olhada nos sites UOL e Globo para me informar do que anda acontecendo no mundo e sempre me surpreendo com a quantidade de babaquice publicada nesses portais. Não só impressionam com o enorme número de baboseiras que os editores querem que sejam notícias, mas também pela qualidade delas. 
Por exemplo, acho incrível que no mundo de hoje, onde as crianças podem ver pela internet cenas que nem os adultos viam nos cinemas pornôs há 30 ou 40 anos, existam tantas matérias que se preocupam com a calcinha que apareceu quando alguém se abaixou, o peito de uma apareceu no decote, e outras idiotices relacionadas à nudez. 
As olimpíadas de Londres deram ânimo aos pervertidos de plantão que se deliciam com fotos de atletas durante os treinos ou nas competições. São momentos retirados de uma sequência de movimentos e levados aos píncaros da fama, apontados que são como constrangedores. Sinceramente, acho constrangedor um portal de informação se preocupar com tamanha falta de estética e publicar tais matérias.
Mas parece que o público está sedento por essas coisas, daí as publicações.
Penso que se publicassem matérias bem articuladas e inteligentes haveria mais gente acessando esses portais. 
Mas talvez eu esteja errado. E haja vergonha para encarar tamanha ignorância pública.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Olhando bem...

                                                 Essa conseguiu superar todas...
 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Os donos da cidade


Crônica escrita e radiofonizada em junho de 2002

Imagine que você mora numa casa alugada. Nem deve ser muito difícil. Regularmente você paga aluguel ao dono. Ele é quem se beneficia do valor pecuniário que recebe, mas é você que se beneficia do morar. Entretanto morar não significa apenas ter uma porta para abrir ou fechar na hora de sair e entrar. Significa ter um lugar que precisa ser limpo, cuidado, pintado. Você precisa não sujar, fazer aquele melhoramento para que você possa viver melhor e ter uma boa qualidade de vida.
Imagine se você esperasse que o dono do imóvel onde você mora fosse varrer ou limpar a sua casa.  Acho até que não iria dar certo.
Nossa cidade funciona da mesma forma. Só com uma pequena diferença: nós somos os donos dela. A isso se chama de coletividade.
E cada um de seus moradores e donos têm para com a cidade deveres a serem cumpridos diariamente, a todo instante.
Você não é o responsável pela limpeza, alguém fará isso por você. Ótimo. Mas você é o responsável pela sujeira urbana? É você quem joga lixo nas ruas? É você quem não procura uma lata de lixo e joga na calçada aquele papelzinho que está na sua mão? É você quem entope de lixo uma sacolinha plástica e acha que o gari é  o responsável se a sacola rasgar e o lixo derramar-se todo pelo chão?
É você  que acha que a borracharia é a única responsável pelo pneu que você acaba de deixar ali? Escolha uma que garanta que o lixo que você está deixando lá não vai ser jogado num canal.
A sociedade é complexa e múltipla. Todos nós somos responsáveis por tudo que ocorre em nossa cidade.
Se você não se acha responsável pelas favelas que proliferam nos barrancos que caem a cada chuva, responda se você faz alguma coisa para pagar melhor aquela sua empregada ou empregado e ajudá-la a sair daquela moradia.
Responda se você votou no candidato que poderia fazer alguma coisa por aquelas pessoas, ou votou naquele que proporcionaria mais vantagens para você mesmo? Como você vê, o cobertor é um só. Se puxar muito para cá, vai faltar para cobrir noutro lugar.
Se você está coberto, tente arranjar mais espaço para os outros embaixo deste cobertor. Se você está descoberto junte-se com seus vizinhos e em vez de só abrir a boca para reclamar a falta de ação dos donos da cidade, lembre-se que vocês também são donos e que já é hora de colocar os braços para agir em consonância com as palavras.
A cidade, a sociedade, eu, você e todos os outros viveremos muito melhor.  

Alguém nos ajude, por favor!




A MP 568/2012 prejudica os trabalhadores dos Hospitais Universitários

A MP 568/2012 é a mais pura demonstração de que o governo não está disposto ao diálogo com os Servidores Públicos, com este instrumento, alterador de pauta do Congresso Nacional, impõe o sistema de rolo compressor dos aliados para funcionar, qual fez com a MP 520 (EBSERH), e pior quem achou que teve algum ganho, a MP acaba de arrochar ainda mais os já minguados salários dos Técnico Administrativos das IFES (PCCTAE) que recebem Insalubridade e Periculosidade, ou seja, em sua grande maioria os que trabalham na área de Saúde.
Se para alguns a esperança, a Medida Provisória 568/2012 significa aumento porque nela contem o texto integral do PL 2203 que concede reajuste de 4% na remuneração dos docentes do magistério superior e EBTT, retroativamente a 1º de março de 2012. Com outra sorte, a mesma MP arrocha salários, detona com a insalubridade e periculosidade, joga pesado contra os profissionais da Saúde, tais como: Enfermeiros, Médicos e Veterinários, impondo o congelamento dos valores acima da tabela do PCCTAE dos cálculos de insalubridade e periculosidade que se encontravam no sistema até o dia de antes da MP e pagamento da tabela vigente, 20 e 40 horas (rebaixamento com os mais velhos) aos novos médicos e veterinários a partir de agora. Um bom prêmio para aqueles que cuidam da Saúde Pública  ... esse é o governo dos que dizem defender os trabalhadores.
É a maldade suprema e tudo em nome de uma falsa ou mentirosa isonomia entre os trabalhadores, deixando de lado anos e anos de trabalho duro e acumulativo em seus organismos com agentes químicos, agentes físicos e agentes biológicos, isto sem falar da medíocre periculosidade (risco eminente de morte), quem vai arriscar a vida por R$ 180,00? Esse é o Brasil Carinhoso da Dil-má!
Em resumo, é isto que o governo federal esta propondo MP 568/2012 na Seção XXIV - Dos Adicionais de Insalubridade e de Periculosidade, Art. 86, quando afirmar que:
A Lei no 8.112, de 1990 passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 68. Os servidores que trabalhem com habitualidade em locais insalubres, perigosos ou em contato permanente com substâncias tóxicas, radioativas, ou com risco de vida, fazem jus a um adicional, conforme os valores abaixo:
I - grau de exposição mínimo de insalubridade: R$ 100,00;
II - grau de exposição médio de insalubridade: R$ 180,00;
III - grau de exposição máximo de insalubridade: R$ 260,00; e
IV - periculosidade: R$ 180,00.
................................................................................” (NR)
Art. 87. Caso o disposto nesta seção acarrete redução do valor global da remuneração total de servidor ativo que, na data de entrada em vigor desta Lei, vinha recebendo adicional de insalubridade ou de periculosidade, a diferença será paga a título de vantagem pessoal nominalmente identificada de, conforme o caso, adicional de insalubridade ou de periculosidade, de natureza provisória, que será gradativamente absorvida por ocasião do desenvolvimento no cargo por progressão ou promoção ordinária ou extraordinária, da reorganização ou da reestruturação dos cargos ou das remunerações previstas nesta Lei, da concessão de reajuste ou vantagem de qualquer natureza, sem prejuízo da supressão imediata na hipótese do art. 68, § 2º, da Lei no 8.112, de 1990.
Mas, por amor ao debate, vejamos o exemplo do enfermeiro (a), entre tantos outros exemplos, ou seja:
- Um trabalhador enfermeiro (a) com 30 anos de casa e que esteja classificado por dentro do nosso plano de carreira (PCCTAE) como E 4 16, salário básico de R$ 5.650,00, recebendo 20% de insalubridade por trabalhar, por exemplo na Unidade de Infecção Hospitalar, então ele recebe R$ 1.130,00, de insalubridade e com a nova Lei do governo Dilma, este enfermeiro receberá R$ 260,00 + VPNI (fixa) de R$ 870,00 que ficará décadas sem ser reajustada, pois há anos não temos mais dissídio lineares, não é?
Agora, um exemplo pior, digamos que dois enfermeiros, um entrou 1 dia antes da promulgação MP 568/2012  e o outro no dia da publicação da MP 568/2012 que já tem efeito de lei, vejamos:
1 - O enfermeiro (a) que acabou de entrar no serviço publico um dia antes da publicação, estará classificado como E 1 1 (PCCTAE), recebe insalubridade máxima de 20% do salário básico que hoje é de R$ 2.989,33, portanto, 20% de insalubridade é R$ 597,87, com esta MP nefasta, ele passaria a ganhar R$ 260,00 + VPNI de R$ 337,33 (fixo) de insalubridade e aquele outro azarado que entrou no dia seguinte da publicação da MP, receberá apenas R$ 260,00.
Enfim, o governo federal ao invés de ofertar ambientes salubres e não perigosos, prefere diminuir os valores dos referidos adicionais, portanto, mais uma vez, como antes foi na previdência publica, na privatização dos Hospitais Universitários (EBSERH), o governo demonstra cabalmente, toda a sua total falta de compromisso com o trabalhador público deste país. Em resumo, os trabalhadores futuros receberam uma merreca por se expor ao trabalho insalubre e periculoso. Nós do MovimentAção por um sindicato combativo vamos levar esta luta até o fim contra estes e outros pontos da MP 568/2012.
Assim, quando você estiver lendo a matéria do G1 e outras agências de Notícias que diz que o governo editou Medida Provisória que aumenta os salários dos Servidores Federais, entenda muito bem, de que lado está a grande mídia. Quando esta mesma matéria afirma que aumentou os valores da gratificação de insalubridade e periculosidade, já está ciente de qual safadeza ou sacanagem que o carinho da Dilma faz quando se trata de Servidor Público e principalmente das Universidades.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Quadrilhas de São João - Crônica escrita em junho de 2002


Há exatos dez anos escrevi essa crônica que era lida em um programa da Rádio Universitária AM.

Quadrilhas de São João

          O dia de São João, a 24 de junho, é o auge dos festejos juninos, expressão máxima das manifestações folclóricas e populares do Nordeste. A reverência religiosa foi sem dúvida o grande motivo para a origem dos festejos, porém essa tradição enfraqueceu-se com o passar dos tempos. O capitalismo se encarregou de dar novas cores, novos formatos, e o que é pior novos objetivos às festas juninas.
               Se antes o consumo de milho e seus derivados eram comuns por ser esta a época da colheita, hoje o consumo é orientado pelas peças publicitárias. Se o milho for a moda , coma-se milho, se for outra coisa... Será assim.
              Se antes se dançava quadrilha por pura diversão e socialização de seus integrantes, com trajes rotos ou com remendos costurados por cima da roupa, com um trio pé de serra tocando, hoje o que se vê são as produções teatrais, coreografadas, luxuosas, quase cinematográficas com som mecânico, estéreo, e arranjos eletrônicos, alguns feitos especialmente para a apresentação do grupo que visa o título de quadrilha mais original , mais luxuosa, mais bonita, mais isso, mais aquilo e um prêmio em dinheiro.
               Se antes juntavam-se os amigos para formar a quadrilha e se ensaiava durante duas ou três semanas antes do São João, hoje se marcam ensaios e formação das quadrilhas com meses de antecedência e se contratam profissionais para cuidar do figurino, dos ensaios, do som, etc.
                  É comum ver, já em setembro do ano anterior, as quadrilhas começarem a se preparar para o São João do ano seguinte.
                Se antes os erros eram motivos de alegria e davam o tempero da brincadeira, com integrantes chegando de última hora e aumentando a quadrilha, hoje o erro é motivo de punição e até de expulsão do grupo.
              Os colégios, que antes estimulavam essas manifestações, hoje deixam a iniciativa aos próprios alunos. Se eles quiserem que se responsabilizem pela organização. Os professores só trabalham a quadrilha com os pequeninos da primeira a quarta série. Será isso suficiente para que as tradições permaneçam? Não, não é e podemos observar isso. 
               Alguma coisa está errada, e nada está sendo feito para evitar a deturpação dessa manifestação. Parece inclusive que os governantes que cuidam da cultura primam por comercializar o evento em forma de grande produção, de espetáculo para turista vir, ver e deixar um bocado de dinheiro, que aliás parece ser a única coisa que interessa.
               Se tudo der certo então, breve será construído um quadrilhódromo para o desfile das agremiações. O problema vai ser definir aonde será construído esse monumento ao fim das nossas tradicionais quadrilhas de rua. Na briga estão Caruaru e Campina Grande que disputam o título de cidade com o melhor, o maior e mais outras qualificações do São João do Nordeste, do Brasil e do mundo.


Carlos Dantas

sábado, 11 de fevereiro de 2012

No Bloco Perfumado do Cabanga

Neste ano, o Bloco Perfumado do Cabanga resolveu me fazer uma homenagem no seu carnaval, e isso, claro, me deixou bastante envaidecido e emocionado. Agradeço o carinho dispensado pela diretoria, na pessoa de Venilza Matias, e por todas as integrantes do bloco. Aproveito para parabenizar pelo munguzá, que estava uma delícia. Aproveite e ouça a música Amo você, Cabanga, Hino do Bloco no vídeo abaixo.


 

Amo você, Cabanga
Venilza Matias / Carlos Dantas

CABANGA, CABANGA

Esse bairro é pequeno
Mas é do meu coração
Não tem segurança, nem tem atração
Mas no carnaval
É uma explosão
Com o Bloco Perfumado
Que faz um arrastão

Cabanga, Cabanga, eu amo você
Com suas falhas e limitações
Pois o Bloco Perfumado
Faz esquecer as desilusões

Nós, carnavalescos
Desfilamos alegremente
Mesmo que não seja pra ninguém
Mostramos a toda gente
Que o nosso carnaval
É diferente









sábado, 28 de janeiro de 2012

Lógico!


A obra apresenta as duas principais vertentes da Lógica Formal, o Cálculo de Predicados (Aristóteles) e o Cálculo Sentencial (Boole, Frege), aplicados à intelecção e ao exercício retórico, mediante uma técnica inovadora, progressivamente introduzida a través de numerosos exercícios. Material suplementar poderá ser consultado na Web.

Eis o sumário:

- Introdução e orientações 
- Símbolos e abreviaturas 
- Capítulo I - SEMIOLOGIA E SEMIÓTICA
- Capítulo II - TEORIA DO CONHECIMENTO DE ARISTÓTELES 
- Capítulo III - LÓGICA MATERIAL: CÁLCULO SENTENCIAL 
- Capítulo IV - TÓPICOS TEXTUAIS 
- Capítulo V - CONCEITO 
- Capítulo VI - LÓGICA FORMAL 
- Capítulo VII - JUÍZO - PRIMEIRA PARTE 
- Capítulo VIII - JUÍZO - SEGUNDA PARTE 
- Capítulo IX - RACIOCÍNIO: PRIMEIRA FIGURA SILOGÍSTICA. 
- Capítulo X - RACIOCÍNIO: REGRAS
- Capítulo XI - RACIOCÍNIO: SEGUNDA, TERCEIRA E QUARTA FIGURAS 
- Capítulo XII - RACIOCÍNIO: SILOGISMOS ATENUADOS 
- Capítulo XIII - RACIOCÍNIO: REDUÇÕES S ILOGÍSTICAS E OUTROS CÁLCULOS 
- Capítulo XIV - TABELAS SEMÂNTICAS PARA CÁLCULO SENTENCIAL E DE PREDICADOS 
- Capítulo XV - FALÁCIAS E SOFISMAS 
- Anexo: Regras de inferência e equivalências para cálculo sentencial 
- Conclusão 
- Glossário e Índice de Matérias 
- Bibliografia

Se tiver interesse em adquiri-lo, custa 38,00 reais e já está disponível nas principais livrarias.
Para obter mais informações sobre o conteúdo, ou se quiser comprá-lo diretamente, acesse http://www.grupogen.com.br e clique em E.P.U.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Andando pra trás


Todo bom pernambucano sabe por que caçuá de caranguejo em Pernambuco não precisa de tampa: para cada um que vai subindo pra sair, tem sempre outro que o puxa pra dentro.
          Um bom exemplo do sinistro modus operandi dessa terra mauricéia é a política cultural assumida pelos nossos governantes.
          O carnaval de Pernambuco ganhou fama no Brasil por causa da diversidade de expressões típicas da época. Em cada cidade, cada bairro, cada clube, os foliões se agregam e botam pra fora suas mais incríveis manifestações de alegria.
          Aproveitando essa hiper-profusão de ritmos, danças, fantasias e tudo o mais que possa caracterizar o carnaval pernambucano, o Governo vende essa imagem do Estado como se aqui o turista fosse se divertir à beça com tanta coisa diferente pra se ver. Não chega a ser mentira, mas...
Sempre aparece um mas!
          Na hora de montar o carnaval para os pernambucanos – recifenses, em especial – há uma profusão, sim, mas de artistas e manifestações alienígenas, não só ao Estado, mas como estranhas ao carnaval.
          Artistas de nome “nacional” são contratados a peso de ouro para fazerem as festas carnavalescas dos pernambucanos. Esse ano teremos Ney Matogrosso, Seu Jorge, Beth Carvalho e Lulu Santos.
          Pra vender o Estado, o Governo passa a imagem da diversidade pernambucana, mas quem vier para ver o carnaval aqui vai encontrar esses artistas que não tem nada a ver com os frevos, maracatus, caboclinhos, ursas, troças e tudo o mais do nosso carnaval, e que, com certeza eles conhecem bem mais que nós.
          Se pararmos pra analisar bem, acaba sendo uma propaganda enganosa, afinal, qual o turista que vai sair do “sul maravilha” com o intuito de assistir um show de Lulu Santos ou Ney Matogrosso em pleno carnaval do Recife?
          Cadê as orquestras de frevo? Cadê os maracatus? Cadê os blocos líricos? Essas “atrações” não servem para fazerem apresentações nos palcos? Não é isso que o turista quer ver? Não é por causa disso que eles vêm gastar seu dinheiro aqui?
          Mas a culpa não está somente nos gabinetes dos burocratas governamentais. Ela também se encontra nos escritórios dos produtores chinfrins que só se interessam  em fechar contratos com as cervejarias e as cachaçarias multinacionais que lhes dão dinheiro em troca de “atrações nacionais”, geralmente indicadas por elas mesmas. 
          As “Virgens de Olinda” apresentam em destaque suas atrações: Grupo Molejo, É o Tchan, Calypso, Netinho (o baiano), Aviões do Forró e Garota Safada. Sem eles não haveria condições de contratar o pessoal da terra como Nono Germano, Alceu Valença, Almir Rouche, Gustavo Travassos e outros. Outros vão trazer Asa de Águia, Claudia Leite, Ivete Sangalo...
          Dessa forma as fábricas de bebidas decidem quem vêm, o que tocam, e o que é pior: o que você bebe, pois para fazer o patrocínio, eles exigem exclusividade de venda nas ruas, e os pobres vendedores se vêem impedidos de vender produtos da concorrência.
          Por um punhado de dólares nossa cultura vai pro bagaço.
          E o que começou com uma diversidade cultural, transformou-se num carnaval esquizofrênico, cheio de guetos, onde quem gosta de hip-hop, de rock, trash ou heavy metal, ou emo tem o seu palco montado para que essas pessoas não ouçam os acordes das músicas de carnaval.
Mas... não é carnaval?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Não me lembro bem...


De repente não existe quando se trata de viver. As horas passam, viram dias, que viram meses, que viram anos, que nos deixam mais velhos. [Acho isso de "mais velhos" uma redundância, afinal de contas ninguém fica mais jovem...]
Aí, de repente, a gente acha que "de repente" envelheceu. É como se vivêssemos anestesiados e nos damos conta que a vida passou e não temos mais 9 anos; nem mais 19, nem mais 29... E vida afora somos assim.
Entre tristezas, alegrias e sentimentos nem tão nobres, nem tão extremos a gente começa a contabilizar as experiências e percebe que já são tantas que elas perdem o valor intrínseco, e nem como lembrança têm mais validade. Vivemos sim, lembramos sim, mas, e daí? Não quero dizer que nossas experiências e nossas lembranças não têm valor, mas dizendo que elas perdem a cor depois de tanto uso.
Marcamos nossas vidas com episódios que consideramos diferentes. Um nascimento, um encontro, uns dias de férias, um acidente, uma doença, ou qualquer outra efeméride que faça nosso calendário ser diferente, como se viver dias iguais não valesse a pena. Vivemos atrás de diferenças para acharmos que valeu a pena ter vivido.
Será que não vale a pena mesmo ter dias vividos sem que eles sejam transformados em efemérides? Se eles não forem marcados como iremos nos lembrar de tê-los vividos? E depois dessas perguntas, vem uma outra crucial: para que lembramos dos dias vividos? O que será que aconteceu comigo no dia 14 de junho de 2007? Ou no dia 23 de novembro de 2001? Ou mesmo no dia 10 de janeiro de 2010? Será que vou me lembrar do dia de hoje daqui há alguns anos?
Respostas? Não tenho ideia, mas que diferença isso faz?
Continuo vivo e levando adiante minha existência cheia de dias em que não acontece nada de extraordinário, entremeados com outros que me são lembrados até hoje, e serão no futuro.
Quem sabe, seria melhor que conseguíssemos esquecer nossas efemérides pessoais. Certamente nossas vidas seriam menos atribuladas e angustiantes, afinal vivemos andando pra frente, mas sempre olhando para trás.
Um brinde ao esquecimento.

  

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Vamos?


Ter coragem é quebrar a rotina e fazer novos caminhos. 
Tente. 
Comece o ano com uma atitude diferente.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ano, de novo. Mendigando mandingas.


Depois de uma semana "virada no cão" para fazer face às demandas natalinas, meio mundo se volta, agora, para as realizações do reveillon. Mais uma forçada de barra na tentativa de ser feliz por um momento, em um momento, como se a vida se baseasse nessa busca e/ou nessa conquista.
Certamente será mais uma semana pesada na tentativa de colocar tudo em ordem para viver, numa boa, a hora de ver fogos de artifícios pipocando no céu, abrir uma garrafa de qualquer coisa que estoure feito champagne, e se abraçar com familiares, amigos e gente que a gente nunca viu antes na vida, desejando sucesso, felicidade e outras coisas que a gente vive correndo atrás o ano inteiro.
De cara, a primeira preocupação é com o tempo: será que vai chover?
Grandes tolices sustentam esse ritual como se alguma coisa fosse ficar diferente só por causa dele.
Psiquicamente falando, é realmente importante, pois as pessoas tem o costume de limitar e condicionar suas ações, e a partir daí viverem suas vidas. Elas se colocam em trilhos imaginários e seguem determinados caminhos como se não pudessem mudar de rumo a qualquer instante desejado e seguir para onde bem entender. Essa "prisão" auto-imposta dá a segurança necessária para viver em paz. E o desafogo vem através de festas como essa que vivemos agora como o Natal e o Reveillon.
Uma delas era para ter um certo caráter religioso. O Natal era assim. Já foi-se o tempo disso. Hoje é apenas mais um momento de fugir do dia-a-dia comum e estafante e sem graça que vivemos, e cair na folia das compras, onde compramos bagatelas para presentear os outros, e torcemos para que ganhemos algum presente interessante, e de preferência, completamente diferente daqueles que compramos para dar.
As tradições vão perdendo força e sendo substituídas por ações sem conteúdo, e com formas cada vez mais estranhas.
Atualmente nem mais o Papai Noel tem mais o carisma que tinha há algumas décadas. Hoje é menino propaganda de consumo, e só. E já começa a aparecer na mídia em meados de setembro. 
Se a festa do Natal era religiosa, o que dizer da passagem do ano? Profanismo ecumênico puro.
Nessa hora, todo mundo resolve apelar para todos os santos possíveis e imaginários, de todas as religiões.
O importante é garantir a boa vivência da existência terrena nos próximos meses do ano novo. Vou vestir roupa dessa cor pra isso, comer não sei o que pra aquilo, dar pulinhos, ficar de costas, num pé só, rezar, gritar, fechar os olhos...
É tanta mandinga que inventam, que fico a me perguntar se realmente estamos no século 21, mundo dominado por máquinas e pela tecnologia. 
Como que tantas pessoas conseguem se enganar com tamanhas tolices vindas de tempos em que os homens precisavam se esconder em cavernas para se proteger de seus inimigos? Será que a humanidade evoluiu mesmo? Tenho minhas dúvidas.
Eu vou ficar torcendo para que o mundo continue tendo seus amanheceres todos os dias, mesmo que não signifiquem um ano novo. Quem sabe, um dia, a gente resolva comemorar apenas o fato de estarmos juntos de quem a gente gosta. Comemorar exatamente isso: estar junto e gostar. Sem necessidade de ser esse ou aquele dia. E se for para comemorar esse ou aquele dia, que façamos isso mesmo, sem deturpações comerciais, afinal de contas o mundo é mundo com suas superstições e mandingas bem antes do dinheiro existir.
Boa continuação de sua existência nos próximos dias. E que sejam muitos deles.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Neuróticos a postos



Analisando bem nossa sociedade, podemos perceber que existem, pelo menos, dois grandes grupos de pessoas: os que têm dinheiro para gastar, e os que não têm. 
O uso da possibilidade de converter em bens essa dinheirama toda é a base de uma neurose econômica que permeia nossa sede de consumo. 
Quem não tem dinheiro para gastar fica angustiado em não ter aquilo que acha necessário. 
Quem tem dinheiro para gastar fica angustiado por ter aquilo que é supérfluo. Mas o interessante é que essa angústia não é, necessariamente sentida ou vivida como negativa. Ela pode ser considerada como a felicidade na hora em que é vivida. 
Há pobres (economicamente falando) que desprezam os valores consumistas e mercantilistas que estruturam nossa sociedade. Eles escondem a angústia do não ter sentindo-se felizes, ou resignados por viverem à margem do consumismo. Outros pobres amaldiçoam a tudo e a todos por serem incapazes de consumirem.
Há ricos que retém tudo o que podem com medo de um dia perderem o poder de consumir. Eles escondem a  angústia do ter sentindo-se felizes em saber que podem.
Há ricos que gastam em tudo que podem para, somente desta forma, poderem sentir-se felizes. Consumindo.
Na verdade todas as pessoas que fazem parte desses grupos são portadores de distúrbios psicológicos causados pela sanha mercantilista e consumista que permeia nossas vidas. 
São neuróticos prontos a matar e a morrer por uma sensação de felicidade efêmera originada nessa relação com o vil metal, que hoje é cada vez mais feito de plástico.
Não há religião ou terapia que alivie ou resolva tais questões, afinal de contas essas opções contam com o uso do dinheiro para serem realizadas.
Repensar nossos vínculos emocionais com a sociedade e com suas pressões por dinheiro é um caminho a ser seguido por quem quer um pouco de paz no espírito. 
Paz que não se  encontra à venda em lugar algum.  

 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quer saber?


Desde sempre fui avesso a esse negócio de dar satisfação de minha vida às pessoas. "O que você está fazendo?", "Com quem?", "Onde?" e outras perguntinhas básicas, sempre me torturaram o juízo. 
Não sou do tipo criminoso / pecaminoso / burlador de leis e normas, mas nunca fui afeito a ser controlado pelos outros, através de meus comportamentos. 
Outro "sempre" que aparece na minha vida é o fato de não querer saber essas respostas sobre a vida das outras pessoas. Que me importa saber o que você faz de sua vida? Não me venha com explicações, nem com satisfações. Não me cabem. 
Na verdade, não preciso disso para te aceitar na minha vida, nem acho que preciso disso para ser aceito.
Isso que faço agora, entretanto, é uma "satisfação" que dou aos meus ex-amigos de Facebook, através deste tópico.
Não que eu precise disso, mas foram tantos questionamentos sobre minha saída, que resolvi expor os motivos de forma bem clara. 
Exponho para que eles não continuem pensando que cada "amizade" desfeita teve um cunho pessoal. [Claro que se continuarem pensando assim, é problema deles, e sofrimento para eles próprios.]
Depois de passar muitos meses vivendo aquela realidade virtual da rede social Facebook, percebi como aquelas pessoas são (estão) carentes de aprovação por parte dos outros. Quase todos estão dando satisfação de suas vidas, como que pedindo para serem aceitos e "compartilhados". Sinto muito, mas não compartilho essa babaquice.
Postagens que mostram que as pessoas não pensam por si, mas querem mostrar que sabem o que é um pensamento. Copiam uns dos outros, como se dissessem "Eu também penso igual a você". 
Eu penso diferente.
Por isso não me adaptei àquele rede, nem aos seus modos de interação.
Preconceitos são expostos em forma de brincadeiras, e as pessoas nem percebem que estão sendo preconceituosas. Pelo menos, acho que não.
As agressões se dissimulam nas aversões futebolísticas, mas não deixam de serem notadas.
Pessoas que escrevem comentários às postagens dos outros com um singular "K", como se "KKKKKKKKKKKK" dissesse alguma coisa.
Outras, que parece nunca terem tido uma mínima educação doméstica, só "abrem a boca" para publicar palavrões, com se estivessem no meio da zona.
Percebi que o mundo faceboquiano é irreal e burro. Os critérios usados para essa conclusão são meus, e ninguém é obrigado a "compartilhar" comigo essa postura.
Nada tenho contra nenhum dos quase quatrocentos "amigos" que deletei do meu perfil. 
E o Facebook é uma rede que faz questão de mostrar os vínculos feitos, dando uma "explicação" a todo mundo sobre sua vida, porém, não mostra quando o vínculo é desfeito. As pessoas não gostam disso. De serem preteridas. 
Eu avisei a algumas que iriam ser deletadas. Não gostam de saber o que a gente faz? O que a gente pensa? Por que tanta indignação, raiva, ou medo? A vida não é assim mesmo? 
O "dar satisfação" tornou-se uma forma pervertida de "ter satisfação" ao mostrar para todo mundo que fui, participei, ganhei, tomei todas, sou cheio de vida e de amigos. E as fotos estão lá para provar e, por que não, para incutir uma ponta de inveja aos não descolados e aos que perderam a oportunidade de participar.
O vendedor de seguros de saúde acha que vai se dar bem fazendo sua promoção na rede. 
O hotelzinho de praia acha que vai encher seus quartos no fim-de-semana. 
A agência de viagens, de vender todos seus pacotes.
Os artistas, que encherão seus shows com os avisos de suas performances nos palcos da cidade. 
Os devotos de todos os santos e entidades superiores, querendo ou não, pregam suas crenças, agradecendo até pelo fato de estarem no Facebook...
O que tem de ruim nisso? Nada. Absolutamente, nada.
Mas, como disse no começo, não me apraz receber satisfação da vida dos outros.
O que antes era "compartilhado", através de spams que se enviava via e-mail a todos seus contatos, hoje se dissemina através das postagens do Facebook. 
O que antes era resolvido com um simples, mas trabalhoso, deletar de mensagens, que a gente nem abria, hoje é exposto nas postagens, com direito a comentários, os mais torpes possíveis, que a gente é obrigado a ver ...
Para mim é lamentável ter que assistir a tudo sem poder escolher. 
E receber diariamente uma avalanche de informações desse tipo, que não me diz respeito, confesso, me incomodou muito. Não culpo, não censuro, nem classifico a quem goste, ou queira ficar por lá, mas prefiro amizades no mundo real.
Há quem goste daquilo. Quem compartilhe. 
Mas eu, não.
Resolvi sair. Simples, não? 

sábado, 19 de novembro de 2011

FaceBurro



Fui advertido pelo FaceBook com uma mensagem com os seguintes dizeres: 
"Uma publicação criada por você  contém conteúdo que viola nossos Termos de uso. Esta mensagem serve como um aviso. Violações adicionais resultarão na desativação de sua conta. Leia nossos Termos cuidadosamente e não publique material abusivo no futuro. Agradecemos sua compreensão e cooperação."
 Sabe que publicação foi essa? Um aviso a algumas pessoas que eu 
 desfaria o vínculo de amizade existente. Alguém se achou no direito de fazer uma denúncia. A falta de democracia nesse mundinho virtual chega aos pés da insanidade. A mesma mensagem recebi via e-mail, porém, o FB não responde às mensgens enviadas de volta. Não sei o motivo, pois não me dizem. 
É muita arbitrariedade por parte desse "organizadores" que se acham no direito de censurar as postagens de seus usuários sem, entretanto, explicar os motivos para tal atitude.
Os termos que eles dizem que eu violei não apontam nada para o que publiquei. Por essas e por outras eu já estava de saída dessa rede social, e por isso estou desfazendo os vínculos que eu tenho por lá.  

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A USP sem cuspe.

Metidos numa carapuça de seres democráticos, alguns estudantes da USP se acham cidadãos diferenciados do resto da sociedade. Talvez por terem sido malcriados por seus pais que não souberam impor limites, nem repassar conceitos básicos do que é uma sociedade, eles pleiteiam o direito de consumirem drogas sem serem molestados. Como se o consumo de drogas fosse permitido. Numa ação anárquica, um punhado desses maus elementos, que certamente não representam a comunidade universitária em questão, se aglutinou e reagiu contra a polícia que agia para dar tranquilidade ao Campus. Como se não bastasse a revolta, com direito a paus e pedras contra os policiais, os marginais consumidores de drogas, invadiram um prédio da Universidade e, com cartazes, faixas e bilhetes, exigem a saída do reitor e da polícia, bem como a anulação de um convênio assinado entre a USP e a Polícia Militar que visa dar mais segurança aos estudantes.
Tolos os estudantes que viajam nas ideias dos bandidos que se beneficiam com a situação. Simplórios e estúpidos esses jovens que se acham melhores que seus pares, e pensam que a universidade é um lugar para fazer besteiras, e não criar condições de se melhorar a sociedade. Broncos esses pseudo-cidadãos que acham que dar “um tapa na erva maldita” não tem relação nenhuma com toda a teia criminosa que acabaram por fazer deles mesmos, as próximas vítimas, afinal quem trafica, rouba, estupra, seqüestra e mata.
Cabe a USP chamar os pais desses rebeldes e fazer uma reunião de pais e mestres para discutir a questão. Será que esses pais sabem que seus filhos agem assim, tentando desmoralizar o ensino brasileiro?  Será que esses pais concordam com essa postura arrogante e burra que esses jovens tomam agora? Será que esses estudantes são aqueles que terão nas mãos o futuro do país. Se forem, poderemos esperar algo de muito trágico para nossa descendência.
Fiquemos no aguardo da parte sadia da comunidade universitária se manifestar. Será que ela vai assistir calada e inerme a vitória da bandidagem ou vai pedir a prisão desses bandidos travestidos de colegas. Eles sim, são perigosos e fazem mais mal do que a polícia procurando maconheiros em ação.    

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Quem te viu, quem te vê...


Muito, e mal, se fala da televisão aberta no Brasil, dizendo que a programação é tão ruim que é melhor nem assistir, e que a solução é pagar uma TV por assinatura.
Sou de um tempo em que a televisão começava a transmitir no fim da manhã e mantinha programação até à meia-noite. Alguns canais saiam do ar mais cedo, às 22 horas. E naquela época não se podia fazer muita exigência, ou escolha. Ou era, ou não. Todos nós assistíamos os mesmos seriados, as mesmas novelas, os mesmos noticiários, os mesmos humoristas. Não cabe avaliar se era bom, ou não, mas destacar que a realidade era outra.
Atualmente as TVs transmitem ininterruptamente, e disputam um mercado de telespectadores cada vez mais segmentado e (por que não dizer?) burro.
Fico surpreso ao perceber que quanto mais condições tecnológicas e de conhecimento se tem, menos qualidade se exige nos conteúdos dos programas.
Exemplifico meu espanto: dia desses estava assistindo uma sessão de “controle remoto” entre as dezenas de canais de uma TV por assinatura e fui brindado com uma conversa entre duas mulheres (uma delas parecia ser jornalista, pois comandava a entrevista), e a outra, sinceramente não faço ideia de quem era e, confesso, fiquei sem vontade nenhuma de saber... O canal era a GNT.
A entrevistada estava no Canadá e se gabava de morar num país civilizado onde “os motoristas não atropela as pessoas nas ruas”. Conversa vai, conversa vem (as duas andando nas ruas), começam a falar de banheiro, e tivemos que ser forçados a ouvir a seguinte conversa:
-Eu não dou descarga em banheiro público com as mãos. Eu aperto com o pé assim, ó! (E gestualmente mostra a delicadeza de como dá descarga).
A repórter pergunta:
- Mas você lava as mãos?
- Não, porque na verdade em não pego em nada. Eu tenho horror de torneiras e de maçanetas. Eu não pego nem na...
- Então você não põe a mão na xoxota?
- (risos) Não.
- Eu geralmente faço um exercício mental na hora de fazer xixi em banheiro público. Faço de conta que estou treinando minhas pernas e fico assim, sem encostar no vaso... (Mostra a posição)
Mudei de canal e dei uma passada no Discovery Channel, que apresentava suas atrações diárias. A cena é insólita: Um homem de costas para a câmera, com uma mulher agachada ao seu lado dizendo:
- Eu tenho que beber seu mijo? (Corte para ela bebendo e fazendo uma careta) com a voz dele ao fundo: - Eu ia dividir com você. Logo depois ele aparece com um besouro gigantesco nas mãos oferecendo a ela o seu café-da-manhã; e logo depois ele sentado sem calças com as pernas abertas na frente dela dizendo que ela terá que fazer uma lavagem nele. Ela concorda.
Corta para outra atração da emissora: Em off o locutor anuncia “Nada como um café-da-manhã reforçado”. AS imagens mostram um sujeito com um inseto vivo nas mãos levando-o à boca para mastigá-lo.
Fiquei pensando: Onde eu peguei o caminho errado da evolução e não corroboro com esse tipo de produção?
E nem nacionais elas são... Será que o público gosta mesmo dessas aberrações? É normal que o homem comum goste de ver coisas estranhas e esquisitas. Dessa “normal” vontade surgiram os circos e os museus, oriundos dos “gabinetes de observação” onde muitas atrações eram fraudadas para parecerem mais estranhas ainda. Os tolos pagavam e se divertiam vendo monstruosidades da natureza e outras coisas espetaculares e mentirosas.
Pergunto para que estou pagando uma TV por assinatura se ela não me oferece muita coisa interessante, cultural, ou de entretenimento que eu possa classificar como “assistível”.       
Quem são os produtores desses programas e quem são os programadores dessas televisões? Que tipo de infância eles tiveram, e que tipo de educação eles tiveram? Acho que as pessoas eram mais saudáveis quando as emissoras de televisão entravam no ar já no meio da manhã e eram desligadas durante a madrugada. Só posso responsabilizar a própria TV pela falta de orientação dessas pessoas. Que vão desorientando mais gente, que cisma em ficar à frente da TV assistindo essas “atrações”. Eu prefiro desligar a TV.
  

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cotas e rotas tranversas

No Rio de Janeiro os legisladores aprovaram a reserva de cotas para negros e indígenas. Vejo essa ação como mais um passo na contra-mão da história, quando as pessoas ficam cada vez mais cheias de separatismos e corporativismos. 
Não quero entrar na questão de desigualdade social através dos séculos que atrapalharam a vida dos que não eram brancos em nossa tão miscigenada terra brasilis, apenas ressalto que estamos, cada vez mais, abrindo escopos para a caracterização de outras discriminações.
Nos tempos coloniais e escravocratas, era péssimo negócio ser negro ou indígena, mas não era nada bom não ser europeu. Gente, mesmo branca, nascida nos confins desse mundão "descoberto" por Cabral era de pouco valor.
Passados alguns séculos, as pessoas continuam a se agregar em grupos, exaltando algumas características e tentando conseguir para si facilidades em tudo.
No caminho que estamos seguindo, em breve vamos ver manifestações para cotas para militares, para evangélicos, para presidiários, para mulheres, para tatuados, para idosos, para doentes (doentes de verdade: luéticos, aidéticos, tuberculosos, hepatíticos), e outras categorias que não consigo prever agora.
Duro vai ser para aquelas pessoas que não se encaixarem em tantas listas. Será que elas terão oportunidade a se candidatar a alguma vaga numa universidade ou num emprego público. Ou elas terão que se mobilizar para exigir uma cota para elas também?     

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Centenário Amaro Quintas

A CEPE - Companhia Editora de Pernambuco - lançará no dia 21, às 19 horas, na Academia Pernambucana de Letras, um belo volume, contendo as suas 3 principais obras: "O Sentido Social da Revolução Praieira", "A Revolução de 1817", "O Padre Lopes Gama: um analista político do século passado". Além do lançamento, o Evento contará com uma conversa com a historiadora Socorro Ferraz, da Universidade Federal de Pernambuco e com o jornalista Ivanildo Sampaio, editor do Jornal do Commercio. A cerimônia ainda será brindada com a Apresentação do Quarteto Vicente Fitipaldi,  do Conservatório Pernambucano de Música.
Historiador, advogado, professor e escritor, era um dos mais conceituados historiadores pernambucanos e um dos melhores professores de História dos colégios e universidades de Pernambuco.

domingo, 12 de junho de 2011

São João diferente no Teatro de Santa Isabel


Quem não está a fim de ficar só ouvindo forró, tem uma ótima oportunidade de dar um tapa na cultura. Veja só:

ÁRIAS  AO  FIM  DA  TARDE  -    GIACOMO  PUCCINI

     Raquel do Monte(soprano) & Rachel Casado(piano)
      Local: Salão Nobre do Teatro de Santa Isabel
     Data: 19 de Junho
     Hora: 17 horas - Entrada: Franca

PROGRAMA
PARTE  I
    “O mio babbino caro” (Gianni Schicchi)
     “In quelle trine morbide” (Manon Lescaut)
     “Senza mamma” (Suor Angelica)
     “Tu, che di gel sei cinta” (Turandot)
     “Chi il bel sogno di Doretta” (La Rondine)

PARTE  II

      “Mi chiamano Mimi” (La Bohème)
      “Donde lieta usci” (La Bohème)
       “Um bel dì vedremo” (Madama Butterfly)
      “Vissi d’arte” (Tosca)